Um protagonista voa para fora do ninho

Capítulo 4 de 7 · Leitura integral

Tudo novo, para
um novo voo juntos

“Uma vez que você tenha experimentado voar, andará pela terra com seus olhos voltados para o céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar”

leonardo da vinci · cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico italiano
Imagem do livro CHEio de Ideias — página 90

Creio muitas vezes que responsabilidades assumidas são também conquistadas e, quando isso ocorre, se manifestam de uma forma muito clara. No meu caso, havia uma vontade suprema: construir uma nova família.

O casamento com a Carla veio de forma natural, porque estávamos namorando havia cerca de três anos, já éramos muito parceiros, cúmplices em todas as situações da vida e, curiosamente, o dia do nosso casamento é o dia do nosso aniversário de namoro. Considero que ganhei mais um motivo para celebrar e não mais uma data para errar.

Durante nossos três anos de namoro ficamos muito próximos e entendendo melhor essa nossa afinidade, paixão, tesão. Assim ficamos, muito colados, e então decidimos nos casar e cerca de seis meses depois nos casamos.

Nos apaixonamos rapidamente, porque antes disso teve uma afinidade de amizade. Nos conhecemos em uma festa dançando e começamos a querer nos encontrar de novo e de novo, até que descobri que Carla estudava especialização na mesma faculdade que eu. Enquanto eu estudava para a minha graduação à noite, ela fazia especialização pela manhã.

Por várias vezes tentamos nos encontrar na faculdade e não conseguimos, mas enfim nos encontramos e não nos largamos mais.

Entre namoro e casamento, são quase 20 anos juntos e considero que a decisão de formar uma família foi resultante dos sentimentos de responsabilidade e da vivência que eu tinha até aquele momento. Somando a isso o fato de que eu estava muito a fim de seguir minha vida com ela, decidimos nos casar e isso foi muito bom para nós.

Organizamos nosso casamento inteiro, fizemos uma super festa. Creio que essa formação de família me trouxe o entendimento de que eu estava preparado para novas responsabilidades, novos voos e com a presença de uma companheira linda.

Tudo que vivemos e ensinamos um ao outro é como uma marca, uma tatuagem no coração, um show de fogos de artifício na alma. Toda a intensidade de uma dança, de músicas que tocam o coração, de viagens cheias de significado e sobretudo de frutos maravilhosos que contam essa história de amor. Ela me ensinou a amar, a me amar, a gostar de tantas coisas. Me ensinou a valorizar as conquistas e a projetar o futuro.

1Os protagonistas em mim

Quando me casei, em 2009, já estava há dois anos tocando a empresa sozinho. Apesar disso, o negócio havia entrado em um processo mais efervescente, porque em 2008 ele teve um pico de crescimento e conquistou forte reputação.

Chegando ao início de 2010, com poucos meses de casado, a saúde da minha mãe piorou consideravelmente devido ao câncer de bexiga e ela acabou falecendo. Imagina o turbilhão de sensações que passei: ainda na euforia de ser recém-casado, batalhando para criar um filho pequeno, minha empresa colhendo frutos de um pico de crescimento e eu acabo sofrendo a morte da minha mãe.

O volume de negócios que o escritório passou a ter naquele momento e os valores absolutos que começaram a passar por ele por conta das minhas ideias me mostraram que, apesar do luto pela perda da minha mãe ser um fato e merecer por completo ser validado, minha vida seguia em prosperidade, em uma crescente.

Ao mesmo tempo em que eu chorava uma grande perda, colhia frutos não apenas de dois ou três anos de dedicação, mas sim de um empenho que vinha desde a minha adolescência.

Se em 2008 minha empresa passou por um pico de crescimento, em 2010 ela continuou crescendo regularmente e se consolidou diante de tantos desafios que um negócio geralmente enfrenta. O MBM foi dando retorno positivo, tudo foi acontecendo, as demandas foram crescendo e comecei a ter que delegar muitas funções para conseguir atender a essas necessidades.

Isso gerou em mim uma tensão, não como um fardo, mas sim o peso da responsabilidade, o impacto da minha presença como dono, criador, autoridade na empresa e também como pai, marido, amigo e protagonista na vida pessoal.

Chegava a hora de encarar o bom e velho conflito entre o protagonista pessoa jurídica e o protagonista pessoa física.

Em 2010 esse conflito começa a dar seus sinais e fica ainda mais forte a partir de 2015, quando a empresa chega aos 10 anos, e novamente em 2020, quando atinge 15 anos. Muitas vezes me peguei pensando, tentando avaliar até quando eu deveria me dedicar tanto ao trabalho, enquanto isso me custava momentos preciosos da minha vida pessoal. Talvez não quisesse trabalhar tanto, mas como havia trabalhado muito até então, isso acabava sempre se tornando comum para mim, um hábito, algo natural.

Inevitavelmente existe esse conflito entre as pessoas física e jurídica de cada um, porque ele é resultante de uma fase de avaliações e descobertas sobre a vida profissional e pessoal e como elas podem se relacionar de uma forma saudável.

Creio que consegui chegar onde cheguei, construindo tanta história, porque a minha pessoa foi uma só, o meu protagonismo foi o mesmo nessas duas esferas. É como se de um lado estivesse o protagonista jurídico, do outro o físico e eu estivesse no meio dos dois. Eu fui o elo. A minha personalidade não muda muito. Busco melhorar a cada dia, mas a essência permanece. Então, creio que foi exatamente essa permanência que me levou a ser diferente dentro do processo.

Quando vou para a Rádio, por exemplo, participar de um programa, a minha voz é a mesma, eu não me imposto, não crio um personagem para isso. Obviamente que existe um bom senso com relação ao contexto de cada momento, mas hoje vejo que meus protagonistas não vivem mais em tensão e sim em uma relação mais harmoniosa, de cumplicidade entre eles. E eu? Continuo da mesma forma, me mantendo no meio, sendo vínculo, deixando minha essência ser a cola.

E qual foi o ponto que uniu os dois? A minha imagem, a minha pessoa próxima de tudo que faço. Prova disso é que nos projetos em que eu traba-

lho atendo meus clientes pessoalmente, de uma forma bem “pessoalizada” e personalizada.

2De casa se leva ao trabalho

Se anos atrás era extremamente comum as pessoas levarem trabalho para casa, atualmente é cada vez mais comum ver a vida pessoal entrando um pouco mais na vida profissional. O mundo corporativo está se humanizando e isso já é uma realidade. E é isso que vejo acontecendo no meu negócio.

No meu caso, entendo que meu ambiente familiar – tanto de origem como atual – influencia bastante na maneira como me relaciono com as pessoas no mundo dos negócios. Digo isso porque foi dentro da minha família que aprendi a me relacionar, a lidar com conquistas, frustrações, e inevitavelmente trago isso para meu ambiente de trabalho.

Creio que uma das chaves do bom relacionamento, que é uma das bandeiras do meu trabalho como líder e protagonista, é entender-se no papel do outro, a empatia. É perceber o que o outro quer, do que o outro precisa. Isso começa exatamente na família, no entender que precisamos exercer a humildade, que não é o que nós queremos que importa, que também precisa ser considerada a vontade do próximo. Além disso, também é importante entender a diferença entre querer, poder e precisar, e isso também se aprende na família.

No meu caso, o relacionamento com vários tipos e níveis de clientes e funcionários que trabalharam comigo – que na maior parte foi muito bom, chegando até a criar laços de amizade com alguns – foi porque consegui ler cada uma dessas pessoas individualmente, sem pasteurização, sem aplicar rótulos ou empacotá-los todos da mesma forma. Consegui entender que cada pessoa é única, e cada uma tem um estilo de comunicação, de vida, uma história.

Não enxergo as pessoas como elementos fabricados em série, que colocamos em uma caixa de papelão e damos um destino para cada grupo. Simplesmente não me vejo fazendo isso, tanto é que me comunico com cada pessoa de uma maneira diferente, tentando encontrar o canal pelo qual elas me entendem melhor, sem precisar alterar a mensagem que quero passar.

Não teria me tornado ator amador, nem publicitário e comunicador multimídia se não compreendesse a importância dessa sensibilidade e versa-

tilidade para me comunicar em diferentes canais. Chego até a afirmar que o publicitário é um tipo de ator, porque veste as roupas de vários clientes: um médico, um advogado, um arquiteto, uma loja, uma indústria… enfim, são vários tipos de clientes que precisam ser incorporados para uma exposição no “palco”, que no caso da publicidade são as diversas plataformas que atualmente nos possibilitam divulgação.

E o que mais eles – ator e publicitário – têm em comum? O nicho, a customização. Como ator eu troco de roupa e maquiagem cada vez que subo ao palco para interpretar um personagem e ainda assim o público reconhece quem está por trás da caracterização, e aplaude o meu talento e capacidade de interpretação. Enquanto isso, como publicitário, atendo cada cliente de uma forma personalizada, buscando falar sua linguagem e usar um canal de comunicação que ele entenda. Se ele é mais direto, sou mais objetivo em minhas explicações, focando na apresentação dos resultados estimados. Se é mais detalhista, cuido para preparar uma apresentação com dados contundentes, gráficos e estatísticas. Enfim, a comunicação não depende apenas da mensagem que quero passar, mas sim da compreensão de quem vai ouvi-la.

O fato de vestir a roupa do outro, tentar calçar seus sapatos, entender sua realidade, facilita a visualização de suas necessidades e assim a identificação do canal a ser usado para passar a mensagem.

Esse fator acabou me impactando como publicitário e como comunicador. Acho que visto a roupa do outro, aprendi a falar bem o que o outro quer ouvir, com verdade e com similaridade, mas isso acontece porque me coloco no lugar do outro, com empatia.

3Relacionamento: Um diferencial no mercado

Creio que saber se relacionar é algo que traz diferenciação para a atuação do profissional no mercado, e vejo que isso acontece atualmente porque estamos vivendo tempos em que as ferramentas oferecidas são acessíveis a todas as pessoas.

Por um lado, isso é positivo, porque faz com que todos tenham acesso à informação em seus mais diversos formatos – texto, vídeo, fotos, áudio – e

as fronteiras geográficas estão sendo vencidas com a ajuda da tecnologia. Atualmente, qualquer pessoa pode se tornar rapidamente famosa ao “viralizar” na internet.

Por outro lado, essa agilidade da comunicação pode criar um ambiente favorável à pasteurização das relações, cada vez mais mecânicas, fabricadas, programadas, repetitivas, baseadas em receitas, métodos, aplicativos. Isso cria então uma falsa sensação de aproximação entre as pessoas. Mas por que falsa? Veja bem, atualmente se tornou comum pessoas que moram na mesma cidade se falarem bastante usando aplicativos tecnológicos, mas não se encontrarem pessoalmente para conversar.

Não sou completamente avesso à tecnologia e à velocidade da informação, até mesmo porque entendo que não tem como eu tentar viver sem fazer uso dessa ferramenta, me alienar do restante do mundo. Porém, creio que é preciso estar atento a esse empacotamento das personalidades. Por isso, gosto de continuar mantendo meu atendimento customizado, personalizado, individualizado, presencial, que percebo não ser uma abordagem tão comum atualmente, mas vejo que está se tornando uma demanda do mercado.

Acredito que quando conseguimos dar personalidade, um amor e uma comunicação diferentes para cada pessoa, isso impacta em um negócio novo, mais fluido, que se torna próximo do seu cliente.

Minha filosofia de trabalho é que preciso visitar o cliente, visitar as pessoas, saber as histórias que a tecnologia não consegue transmitir, dar e receber um abraço, olhar no olho sem a pixelização gerada pelas oscilações de conexão da internet, preciso me emocionar com a pessoa, saber se o café está quente, fraco ou frio, saber de coisas que só são feitas pessoalmente, e que na esfera do mundo dos negócios se perderam.

A grande disputa entre o analógico e o digital está nas mãos do relacionamento: remoto ou presencial.

4Viciados no “tutorial”

A inclusão digital possibilitou compartilhar facilmente em grande escala nosso conhecimento. Fato é que, ao mesmo tempo que a internet se abriu para que desde a dona de casa até uma celebridade se torne produtor de conteúdo, a cada dia surge uma nova receita para vender mais, para se tornar

um milionário, atingir metas, influenciar pessoas, ser mais eficiente e acredite, até para “ser feliz”. A cada minuto surge um novo tutorial na internet.

Quem ainda não se pegou buscando um “tutorial” de alguma coisa na internet? Queremos a solução rápida e “mastigada” nas nossas mãos, porque estamos sempre sem tempo a perder. Se meu computador tem algum problema em casa, rapidamente busco alguma orientação na internet, por mais que eu tenha algum amigo que saiba resolver a questão.

— Ah não, não vou incomodar ele – pensamos.

Com isso perdemos um pouco do nosso senso de troca, de cumplicidade, de estender a mão.

Se antes uma mão lavava a outra, hoje buscamos um aplicativo que ajude cada mão a se lavar sozinha.

O computador quebrado poderia ser uma oportunidade de encontrar o amigo que estou há um tempão sem ver, poderia convidá-lo à minha casa para tomar um café e deixar que ele tentasse descobrir o problema. Mas quem tem tempo para isso?

As experiências e sensações humanas estão sendo trocadas por receitas prontas. Mas continuo não acreditando muito que isso seja um benefício da tecnologia, e sim uma desvantagem. Não estou dizendo que as receitas prontas não sirvam para nada, mas sim que é importante que as experiências humanas de interação pessoal continuem existindo e sendo praticadas. Também acredito que tais experiências gerem bons negócios, porque essas interações conferem mais verdade e credibilidade aos contratos firmados. A inteligência artificial veio para ficar e pode desmerecer os processos criativos.

5Família e trabalho: Haja entusiasmo!

Uma nova família e um novo trabalho exigem entusiasmo, muito entusiasmo! Mas antes de continuar com esse raciocínio, vale a pena conceituarmos este termo. Entusiasmo vem do grego entheos, que significa estar “preenchido por Deus”.

Sabendo disso, creio que essa palavra é muito forte dentro da minha trajetória, porque ela tem uma linha do tempo que mostra muitos momentos

em que tive que ficar de pé, mesmo não sendo provável que eu conseguisse, mas consegui.

O entusiasmo foi um ingrediente para me fortalecer no meio do caminho, porque no começo, muitas vezes me apoiei naquelas palavras: resiliência, gentileza… Mas o entusiasmo me erguia justamente na hora em que eu pensava em desistir, quando já estava cansando das ideias – e olha que não sou de me cansar tão facilmente.

Além de ser uma palavra importante na minha trajetória, o entusiasmo também é um traço muito importante da minha identidade como empreendedor, líder e protagonista. Ele é quase a reciclagem de uma situação: tudo parecia estar caindo e ele vinha para dar uma injeção nova de ânimo, de alma em mim.

Então, dentro desse movimento todo, de muitas vezes ter dúvidas se eu chegaria ao fim de um projeto, se daria certo, ou se não valeria a pena, o entusiasmo parecia ser Deus – não no sentido religioso, mas sim espiritual – carregando uma mensagem:

— Não desista! Continue!

O interessante disso tudo é que essa mensagem parece ser exclusivamente para a gente. Ele me traz a confirmação de certezas solitárias, surge como um reforço em meus momentos de solidão, porém frutifica com uma inspiração divina que não deve permanecer guardada e sim compartilhada, que deve tornar-se coletiva, social, porque é tão abundante que transborda da pessoa em que é gerada. É contagiante.

Por isso acredito que a presença do entusiasmo foi o que fez com que boa parte dos meus projetos que começaram na solidão se transformassem na realização validada por um grupo de pessoas que me ajudaram a desenvolver esse meu protagonismo. Porque eu quis ser, mas elas validaram e, principalmente, trabalharam para que a minha ideia ou aquela minha inspiração acontecesse efetivamente e fosse até o fim.

Sendo assim, a palavra entusiasmo merece um destaque neste capítulo, porque creio que seja um sentimento que me acompanha até hoje e me estimula, me dá coragem toda vez que preciso alçar novos e ousados voos.

Muitas vezes, quando tenho uma ideia que vejo como inovadora em algum sentido, sinto o entusiasmo me confirmando que estou no caminho certo:

— Mas isso alguém já fez – respondem alguns diante da minha ideia.

— Mas a gente pode fazer diferente, pode montar isso com outras referências aqui e ali – eu insisto.

Essa certeza de que a minha proposta faz sentido é gerada justamente pelo entusiasmo, que é o ingrediente de muita força dentro de um processo onde há líderes e liderados, há protagonistas, coadjuvantes e plateia.

Imagem do livro CHEio de Ideias — página 99

Tudo novo, para um novo voo juntos!

6#TudoComCH: Decifrando o desconhecido

O MBM fez um trabalho importante para a Candura, uma fábrica de produtos de limpeza localizada em Piracicaba. A companhia estava em uma fase de crescimento nacional e precisava de uma ação de mídia nesse nível de abrangência.

Elaboramos o projeto de um comercial de televisão para eles, que foi veiculado em muitas regiões brasileiras. Foi muito interessante, porque participamos desse processo de promoção da imagem dela em algumas regiões, como o Sul de Minas Gerais e em cidades como Sorocaba e Campinas.

Foi um trabalho marcado pelo profissionalismo, que aconteceu devido ao entusiasmo de vencermos um desafio: fazer um comercial de televisão. Na época, aprendemos muito sobre os tipos de mídia, padrões exigidos pelas emissoras, qualidade da imagem, contratação de elenco, elaboração de roteiro, uso do rótulo com tridimensionalização do produto… A maioria dos fatores dentro desse processo eram novos para nós, pois nossas ações de marketing envolviam outras plataformas.

Sem dúvida alguma, essa foi uma ação que exigiu muito entusiasmo de nós, porque a cada exigência ainda tínhamos que descobrir como fazer e poderíamos ter desanimado, mas acreditamos na nossa capacidade de vencer o desafio.

Com esse trabalho, entendi que o entusiasmo muitas vezes vem para compensar, nos ajudar a decifrar o desconhecido, vencer o medo de executar algo que nunca executamos. O entusiasmo surge como um mentor.

7O sucesso nos rodeia

Quando falo sobre essa fase de tantas descobertas sobre meu potencial com a empresa e o modo de equilibrar meus protagonismos, me lembro muito da minha tia Maria Regina (conhecida como Rê Fernandes). Ela foi uma mulher fantástica, que se tornou um nome importante do design no Brasil.

Na década de 60, ainda jovem, mas já com três filhas, ela foi para Pittsburgh, nos Estados Unidos, estudar Design, e fez parte do grupo que trouxe a teoria da cor ao nosso país, e então escreveu um livro sobre isso, chamado “Da Cor Magenta, Um Tratado Sobre o Fenômeno da Cor e Suas Aplicações”, pela editora Synergia.

Minha tia se tornou referência na minha vida muito antes da minha carreira profissional ter início. Quando meu pai morreu e ficamos eu e meus irmãos com nossos avós, a presença da tia Regina foi muito forte. Ela nos levava à praia para respirar novos ares e, de certa forma, até fez o papel de mãe – um pouco mais light – que se perdurou desde nossa infância até parte da fase adulta. Cerca de um ano depois que meu terceiro filho nasceu, ela descobriu que estava com câncer no ovário e acabou falecendo.

Jamais vou me esquecer de como ela me deu subsídios teóricos para construir a Casa de Noel. Foi ela também que me fez sonhar desde criança em ter uma casa e formar uma família. Ela me dava papel, lápis de cor e falava:

— Vamos desenhar uma casa com um lago e patinhos!

Tia Regina também me estimulou a viajar, estudar artes, música e teatro, porque ela trabalhava com isso, era professora de cores, de artes, cenógrafa, cinema, enfim... uma grande artista.

Quando pensei em montar o conceito da minha empresa baseado nas cores, ela também me orientou na elaboração desse projeto.

Quando minha mãe faleceu, ela me visitou bastante e me deu muito apoio. Sem dúvida alguma, foi uma pessoa que expressou muito amor por mim durante todo o tempo que esteve viva, ao nosso lado.

Hoje, depois da sua morte, percebo que a grande referência de entusiasmo e valorização dos relacionamentos na minha vida veio dela. Porque ela dizia exatamente essa frase:

— Sucesso é tudo aquilo que acontece, sabe por quê? Porque aquilo que acontece é aquilo que sucede, que gera sucessão, sucesso.

Tia Regina era uma pessoa de alma voadora, tinha uma identificação muito forte comigo. Nós tínhamos uma relação muito parceira.

Imagem do livro CHEio de Ideias — página 102

Eu não a colocava em um pedestal, assim com ela também não me olhava de cima. Nós dois olhávamos para o lado e víamos um ao outro.

Ela sempre tinha uma palavra de estímulo, era uma pessoa que eu tenho muita saudade, porque foi muito brilhante, alguém que era da minha turma, independentemente da idade.

Por ser uma pessoa com asas, se hoje consigo voar, não tenho dúvidas de que foi ela quem me ensinou.

8Falando com a massa: A arte que promove vida

Toda ideia criativa começa no silêncio do EU. Se você quer fazer acontecer, comece a realização por convencer a si mesmo de que ela é possível, com entusiasmo e muita energia.

Trabalhando com marketing, publicidade, mídia, eventos e consultoria, encontro-me com meu maior talento e entendo o propósito de mantê-lo vivo.

Eu gosto de fazer comunicação! Gosto de falar para muita gente ao mesmo tempo! Gosto de abraçar as pessoas e entregar para elas o que tenho de melhor. A minha arte é a palavra.

Pela arte da música, da dança, do teatro, da escultura, do desenho, da fotografia, da pintura, da arquitetura e do design eu vivo alimentado.

A arte me alimenta, me dá vida e traz grande contribuição para as minhas ideias.

Em um berço cheio de arte, recebi como herança a sensibilidade de enxergar o mundo como um lugar possível.

Neste manifesto, falo àqueles que, como eu, respiram arte, para juntos lembrarmos o que ainda resta de um mundo bom. Não é loucura. Não é devaneio. Não é sonho impossível. É o ser humano acreditando no seu melhor como presente para o outro.

Eu acredito que a magia acontece quando gente boa se une para criar.

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