
Me tornei pai ainda cedo. Quando meu primeiro filho nasceu, em 2004, eu tinha 21 anos. Era 12 de junho, Dia dos Namorados, e em setembro iria completar 22 anos. Então, ainda jovem, me vi pai de um menino chamado Antonio, de apelido Nino.
Foi bastante desafiador, hoje ele está na faculdade e consigo enxergar que não só ele, mas todos os meus filhos, quando nasceram me trouxeram desafios muito claros. Mas além dos desafios, não posso deixar de destacar, eles também me trouxeram muita prosperidade. Digo isso porque a chegada de cada um deles provocou uma motivação pessoal e profissional.
Quando meu primeiro filho nasceu eu não tinha nada. Não tinha dinheiro, mobilidade e minha família não podia fazer nada mais do que já fazia. O que eu tinha era o meu trabalho e meus sonhos. Então, apesar de não ter posses e investimentos, nenhuma segurança financeira nem estabilidade, eu já trabalhava e empreendia projetos – que para muitas pessoas, naquele momento, ainda eram só projetos sonhadores ou até mesmo impossíveis.
Se até hoje, muitas vezes, ainda me vejo sendo tratado como sonhador por algumas pessoas, clientes e até membros da família, imagine naquela época, quando eu não tinha histórias de sucesso para mostrar, e além de tudo usava o cabelo comprido e todo bagunçado!
O nascimento do Nino significou um desafio para mim, hoje entendo que eu ainda era realmente imaturo como pessoa – algo natural a qualquer jovem nessa idade. Uma experiência “precoce” em relação a outras áreas da minha vida, como por exemplo desenvolver uma mente empreendedora e começar a trabalhar bem cedo. E foi justamente encarando minha própria
imaturidade que comecei a focar meus pensamentos no que precisaria fazer para me tornar um pai presente, evitando assim que o meu filho crescesse sentindo a falta do pai, como eu senti.
Os desafios para me manter por perto não foram poucos. Eu e a mãe dele passávamos por uma fase já complicada em nosso namoro e o relacionamento estava fragilizado e finalizando. Não é preciso contar muito para que se imagine todo o arranjo logístico que isso exigiu de nós. Mesmo eu não estando com ela, ainda estaria com ele para sempre. Isso era e ainda é um desejo claro. Não me arrependo de nada do que fiz para estar com ele. Pelo contrário, considero que tudo foi de grande aprendizado e que fui muito bem recompensado pela companhia e o relacionamento que desenvolvi com meu primogênito e mantenho até hoje.
Há quem encare a paternidade jovem como uma “pedra no caminho”, uma “interrupção abrupta dos sonhos”, uma “demolição dos planos”, mas não a vi dessa forma. Quando meu filho nasceu, não digo que não senti medo porque isso seria uma mentira, mas fui movido pelo amor que já sentia por ele a vencer os desafios que foram surgindo. Meu primeiro filho me ensinou muitas coisas e me trouxe um processo de amadurecimento que posso considerar um dos pilares do meu protagonismo.
Mesmo sem saber, ainda bebê, meu primeiro filho me desafiou a assumir um forte papel. Ele se apresentou de maneira muito corajosa, lutando para viver.
1Pequeno guerreiro
Antonio me desafiou a desenvolver o protagonismo, a ser mais resistente, mas isso aconteceu porque ele também se mostrou assim já no ventre da mãe. Em primeiro lugar, quando ela ficou grávida, eu não tinha recurso algum, nenhuma reserva para cuidar desse garoto. Em segundo lugar, ele nasceu aos oito meses e teve Síndrome da Angústia Respiratória (ou Doença da Membrana Hialina) – um problema grave de saúde, um distúrbio respiratório no qual os alvéolos dos pulmões do recém-nascido não permanecem abertos, o que dificulta a respiração do bebê, além de outras complicações. Por isso, assim que nasceu, foi diretamente encaminhado para a UTI neonatal da Santa Casa de Piracicaba, onde ficou por longos 12 dias.
Então, pode-se dizer que antes do meu primeiro filho saber o que é vida, já provou o que é batalha, a luta, porque precisou lutar para viver. Sem dúvida alguma, um pequeno guerreiro.
Ver nosso filho recém-nascido naquela situação foi um choque muito grande. Mas, apesar disso, aquele contexto difícil serviu como um empurrão para que me tornasse mais focado e persistente na área profissional. Afinal, tinha que conseguir mais recursos e segurança para pagar os custos que toda a situação estava me gerando. Esse foi – e ainda é – outro grande desafio para mim, porque como sou visionário, idealizo muito as coisas da vida.
Desde muito novo, a grande quantidade de ideias que me passam pela cabeça e envolvem inovação e criatividade, acabam me levando a assumir esse papel de “sonhador” na sociedade, que na verdade é um potencial visionário. Quem não entende esse perfil acaba por tachar de sonhador a pessoa que tem poder de criação, inovação e visão de futuro. É uma linha muito tênue.
Naquele momento, eu ainda com 21 anos, super “sonhador” e emotivo, mas conseguindo começar a provar como profissional que meus sonhos não eram em vão, eles se tornavam realizações, somei a isso tudo meu papel de pai que estava começando.
Eu tinha que construir e conquistar a credibilidade de pai, mas como? Paternidade não vem com manual de instruções, mas vem com vida e respondi a isso com disposição para arriscar e aprender. Assim, a construção e conquista dessa credibilidade vieram muito mais por intuição do que por intenção. Na época, não estava nos meus planos correr atrás de um amadurecimento nessa área, mas era preciso agir e por isso a intuição me guiou.
Na área profissional, passei a buscar situações que me proporcionassem pelo menos o mínimo necessário para pagar as despesas do meu filho, que depois acabaram se transformando em pensão, depois em escola e plano de saúde ao longo dos anos, além de alguns extras como um passeio diferente, uma viagem legal. Sempre investi o possível para que ele se sentisse confortável em casa com sua mãe e também comigo. Fico muito feliz que ele sempre entendeu a situação de seus pais e cresceu sem grandes grilos.
Além disso, esse novo momento me trouxe um sentimento único, não apenas de que eu havia me tornado pai, mas também que permaneceria pai, e por isso, meu perfil protagonista precisava se fortalecer a cada dia.
2O pai que ficou
Eu tive que ser um pai protagonista, porque senão teria sido aquele pai que muitos acabam sendo: os que geram o filho, mas não conseguem encontrá-lo, não ajudam, não se fazem presentes, não veem o filho crescendo ou mesmo não querem nada disso. Mas fiz e faço questão de estar sempre perto. Por isso, desenvolvemos uma relação muito próxima, de pai e filho que conversam de tudo.
Eu queria ser um pai que ficaria, e por que posso dizer hoje que sou o pai que ficou? Porque como meu pai morreu quando eu ainda era muito novo, eu olhava para meu filho e pensava:
– Ele vai ter um pai diferente do que eu tive, vai ter um pai que vai ficar, não vou me afastar do meu filho. Ele vai ter o pai sempre junto dele.
Eu sempre pedi a Deus para não morrer cedo como meu pai, para estar o máximo de tempo possível ao lado dele. Este foi um estímulo para meu protagonismo familiar. Decidi acompanhar o crescimento do meu filho e essa decisão me levou a lutar por ele em muitos sentidos. Todas as vezes em que eu me esforçava mais no trabalho, para otimizar meu ganho – e também o meu tempo – fazia isso por ele.
Eu não queria que a minha presença de pai fosse coadjuvante, mas sim protagonista. Com ou sem dinheiro, a pé, de carro, de mototáxi, de ônibus, no sol ou na chuva, lutei muito para estar com ele e oferecer o meu melhor.
Hoje, quando olho para trás, ainda penso: “Apesar de alguns momentos muito difíceis, eu consegui. Aqui estou, com meu filho sempre perto e aprendendo todos os dias com ele”.
De alguma maneira também creio que hoje ele consiga me enxergar como um vencedor, alguém que superou muita coisa para manter essa relação.
— Pai, você não só sonhou, mas também realizou – ele me disse uma vez numa conversa emocionante que tivemos num jantar em São Paulo.
3Outro nascimento: O MBM Escritório de Ideias
Aos 15 anos de idade, quando comecei a entregar folhetos na rua, trabalhar com telemarketing e divulgação, ainda não imaginava no que aquilo poderia resultar, mas uma coisa era clara: não me faltava disposição para correr atrás e ganhar o dinheiro que eu queria para, aos poucos, começar a conquistar a minha independência. Quando cheguei aos meus 22 anos, após iniciar aquele processo de me tornar mais focado, de tentar sonhar com os pés no chão, equilibrar sonhos e realizações, vejo que junto com toda essa energia que eu já tinha na minha juventude, somada à motivação resultante do nascimento do meu filho e também à necessidade de ser mais realizador, me veio a capacidade de alçar novos voos.
Estava cursando a faculdade de Publicidade e Propaganda e conhecia duas profissionais de rádio, que acabaram se tornando minhas parceiras de projetos e também amigas. Uma delas era Marcela Matavelli, que trabalhava na Rádio Educativa; a outra era Mariana Zanolli Moreno, estagiária da emissora. Nos juntamos e passamos a prestar serviços na área de divulgação como freelancers e tivemos algumas boas experiências em parceria.
Assim, começamos a conversar sobre a possibilidade de criarmos uma agência de comunicação que atendesse nossos clientes de forma mais personalizada, mais exclusiva, porque achávamos que estava faltando esse tipo de atendimento e poderíamos fazer isso.
Na época, percebíamos que havia muita disponibilidade de assessoria de imprensa para elaborar releases, enviar para os jornais impressos, televisão e rádio, além de agências de publicidade, que faziam layout, logotipos, anúncios, folhetos etc. Tinha muitos clientes em potencial para desenvolvermos eventos. Pensando na nossa nova empresa, me dei conta de que eu contratava muito esses serviços, e quando o material chegava às minhas mãos, me envolvia bastante em todos os processos, produções, opinava e sugeria várias alterações pertinentes. Foi então que ponderei:
— Bom, se conheço e vou bem em todas as etapas de produção, sei o que é preciso fazer. Então, em vez de contratar uma empresa, posso criar uma para isso!
Como eu tinha muitos contatos, as pessoas começaram a me pedir para fazer exatamente esse tipo de serviço, porque havia uma demanda no mer-
cado da minha região. Aquela foi minha chance de mostrar que eu poderia realizar um trabalho de qualidade.
Então, eu, Marcela e Mariana nos reunimos para criar o embrião dessa empresa: o MBM Bureau de Comunicação, que tem essa sigla em razão das iniciais dos nossos nomes. Passamos a elaborar projetos e, quando nos demos conta, a empresa estava começando a acontecer com quase nenhum recurso financeiro – apenas o nosso trabalho. Acredite, nós não tínhamos nenhum capital de giro!
Creio que a grande sacada do MBM foi a coragem, por justamente começar com uma mesa, uma estrutura física tímida e muita vontade de dar certo. Eu me divirto muito hoje ao lembrar da dureza, das movimentações calculadas e das planilhas justas que tínhamos.
Começamos como escritório de comunicação e marketing para desenvolver as estratégias de comunicação integrada, de internet e outras plataformas. Mas não tínhamos dinheiro para praticamente nada. Eu fazia faculdade e tinha que trabalhar como funcionário da Renato Massano Comercial, uma empresa de materiais hidráulicos dos meus amigos Renato e Sonia, onde era responsável por todo o Departamento de Marketing, além dos projetos culturais que já mantinha – e realizo até hoje – como o espetáculo do Papai Noel Cantor e o Carnaval das Marchinhas.
Começamos a ter tanto trabalho que para mim se tornou inevitável sacrificar festas, viagens e namoros. Havia semanas em que eu tinha que faltar da faculdade para trabalhar à noite, quando campanhas grandes exigiam muito trabalho de produção de texto, design e planejamento financeiro.
Além disso, eu tinha muitos freelas de fim de semana. Lembro de uma vez em que acompanhei um grupo de italianos que visitou Piracicaba e fiquei o fim de semana passeando com eles. No fim do passeio, o grupo organizou, além do cachê, uma caixinha que me salvou por 15 dias. Sempre fui muito bom com relacionamentos, conversa, contato humano. E muitas vezes de forma natural isso foi importante para gerar ganhos.
Olhando a minha história superficialmente, pode haver quem imagine que, ao me tornar pai, abracei responsabilidades profissionais demais de forma aparentemente insana e sonhadora, quando eu deveria me acomodar num trabalho formal e teoricamente mais seguro para atender as demandas de uma nova vida. Mas a realidade por trás desta minha “loucura” era muito mais do que uma vontade de não parar, era sim o sentimento de responsabilidade,
somado à minha vontade de crescer e batalhar pelo meu filho, que estavam falando alto dentro de mim, do meu jeito e com a minha real competência.
Antes de dar esse importante passo de abrir o MBM, eu já era acostumado a correr atrás de tudo e todos que me conheciam, porque era um verdadeiro agitador – não propriamente político, mas de ideias, de criatividade. Eu estava sempre em todo lugar, envolvido na organização de todo tipo de evento, de desfiles a jantares, de cursos de culinária a peças de teatro, musicais e orquestras. Quando abrimos a empresa eu estava nessa ebulição, precisava de dinheiro e não tinha nada para investir, muito menos capital de giro. Não tinha como comprar equipamentos e minhas amigas também não.
Começamos assim: Mariana levou o computador dela. Porém ela permaneceu só alguns meses no projeto e acabou saindo. Isso poderia significar uma alteração no nome do negócio – até mesmo porque ainda não o tínhamos registrado como pessoa jurídica – mas havíamos gostado dele e estávamos começando a divulgação da marca.
Com a saída da Mariana, perdemos uma grande parceira. Mas ela tinha outros planos, é uma grande profissional.
Hoje, olho para esse começo com muito bom humor. Brinco que a empresa cresceu muito no primeiro ano. Não tínhamos nenhum computador, compramos um e ela cresceu 100% na tecnologia. Bem, de 0 para 1, de um ano para o outro, isso equivale a 100%, não é mesmo?

4#TudoComCH: Confiança
Começamos o MBM Escritório de Ideias em uma sala bem localizada no centro da cidade pertencente à nossa primeira cliente, Rita Gozetto, artesã e dona de espaços comerciais. Trocamos serviços, ela cedia a sala, enquanto nós desenvolvíamos um projeto de marketing para sua loja, um ateliê criativo que desenvolve brindes personalizados em tecido, madeira, porcelana e outros materiais, além de comercializar presentes de marcas exclusivas. Assim caminhamos por dois anos, pagando nosso aluguel com serviços, e de quebra, acumulando portfólio. Foi um tempo muito interessante, porque pudemos ver nossas empresas nascendo e crescendo juntas.
Fizemos todo o trabalho de marketing, comunicação, fotos, site, tudo que ela precisou por dois anos. O mais interessante é que transformamos esse relacionamento profissional em uma grande amizade. Hoje ela ainda eventualmente nos contrata, é uma amiga querida que abre as portas da sua casa e coleciona boas histórias conosco. Já viajamos para uma feira em Holambra e como os recursos tinham que caber no orçamento pequeno de uma empresa de artes e artesanato, ela conseguiu um motorhome e dormimos toda a equipe nele. Depois de dias intensos de trabalho, cozinhávamos e conversávamos muito. Ríamos muito, de doer a barriga. Mas no dia seguinte o trabalho continuava, cheio de vontade de ver o negócio dela dar certo.
Sempre fui envolvido com o sucesso de meus clientes. Quando os irmãos veterinários Fernanda e Felipe Sansígolo lançaram um petshop, nos pediram toda a consultoria de marketing e comunicação. Durante o projeto, não pensei duas vezes e os convenci a irmos para uma feira no Rio de Janeiro para ver de perto as novidades do setor animal/ veterinário, captar conteúdo e gerar parcerias. Isso aproxima, gera confiança e vínculo.
O processo de construção e criação da nossa agência aconteceu juntamente com o ateliê da Rita, ela ajudando nossa empresa a acontecer como cliente e nós ajudando a dela, promovendo-a para o público. Uma troca só é boa quando atende aos dois lados.
Diria que esse foi um tempo de superação mútua, que se tornou possível porque fizemos isso de mãos dadas, nos apoiando sempre.
Protagonismo sempre começa com confiança: Confiança em si mes-
mo, confiança nos outros e responsabilidade ao ser depositário da
confiança recebida.

Ela acreditou em nós e nós acreditamos nela. Serei sempre grato pela confiança de clientes e parceiros!
5A hora da decisão
A boa localização da nossa sala e a facilidade de fazermos e mantermos bons contatos contribuíram para que conseguíssemos muitos clientes. Realizamos muitos trabalhos, mas mesmo assim, dois anos depois de criarmos a empresa, continuávamos não tendo muito dinheiro investido. O negócio estava basicamente “se pagando”.
Na época, eu trabalhava na loja de materiais hidráulicos ainda, já morava sozinho, tinha toda uma vida para dar conta. Bancava tudo com o dinheiro desse emprego e dos trabalhos extras que realizava. Mas enfim, no ano de 2007, aos 25 anos chegou o momento decisivo na minha caminhada profissional, o qual acredito que a maioria dos empreendedores vivenciam no início de suas empresas: deixar meu emprego para me dedicar mais ao meu negócio. Essa decisão é muito difícil de tomar, porque temos medo do gap, de faltar grana.
Conversando com minha sócia Marcela, tivemos que decidir se iríamos continuar ou não trabalhando dentro e fora do MBM. Então, resolvi sair do meu trabalho e dar esse salto importante.
A boa notícia disso tudo foi que a empresa onde eu estava como funcionário gostava tanto do meu trabalho que me contratou como prestador de serviço. Isso prova que saí de lá deixando portas abertas e a empresa se tornou cliente do meu novo negócio, ajudando a alavancar esta nova etapa.
Comecei essa nova fase indo por um ou dois dias da semana ao meu trabalho anterior como freelancer, e no restante da semana eu trabalhava na minha própria empresa. O resultado desse passo importante veio antes mesmo do esperado. A ebulição foi quase que instantânea. Comecei a trabalhar mais na minha empresa e com isso ela aumentou consideravelmente sua carteira de clientes. O crescimento foi notável.
Mas para acompanhar toda essa ebulição do MBM, era preciso estar no ambiente da empresa, no dia a dia do escritório e, apesar de Marcela ser extremamente competente, organizada e responsável, ela não conseguia estar tanto tempo quanto eu na agência. Enquanto isso, os acontecimentos no escritório eram tantos e tão dinâmicos, que eu não conseguia mais atualizá-la sobre tudo.
Após conversarmos abertamente sobre o assunto, Marcela decidiu que seria melhor sair e seguir outros caminhos. Apesar de eu sentir sua saída no começo, de sentir sua falta como profissional, o processo de desligamento da
sociedade ocorreu com tranquilidade, sem desgastes, e a amizade continuou. Afinal, isso já existia antes mesmo do MBM.
Fizemos o inventário de tudo o que tinha investido de material, equipamentos e entramos em um acordo de que eu a pagaria em parcelas. Consegui cumprir o acordo, porque apareceram novos projetos.
A coragem faz parte do protagonismo. Ela não chega de repente, e mesmo quando nata precisa ser trabalhada. A coragem é construída passo a passo no processo, em doses pequenas e específicas, voltadas para cada nova necessidade.
Para protagonizar é preciso gerar, mas também é preciso deixar nascer e crescer. Com coragem aprendemos a voar!
6Decolando
Em 2008, tivemos um pico altíssimo de crescimento. Enquanto a crise nos Estados Unidos preocupava os norte-americanos e tantos outros países – inclusive o Brasil – minha empresa teve um bom resultado. Tive uma clientela bem variada, conseguindo atender de pequenos a grandes projetos. Como já tínhamos uma equipe muito boa, atendíamos tudo que chegava às nossas mãos, não recusávamos nada. Isso fez com que a empresa crescesse muito e tivéssemos experiências muito ricas para poder decidir, anos depois, em qual áreas trabalharíamos melhor.
Depois disso, em 2010, tivemos outro pico de crescimento. Atendemos um cliente muito grande, que nos contratou para elaborar um dos maiores projetos que assumimos até hoje, uma campanha nacional para projetar a marca e os produtos da empresa piracicabana Candura.
Com um melhor fluxo de caixa, saímos então daquele escritório no centro da cidade, onde ficamos por pouco mais de dois anos e fomos para outro lugar, também no centro, onde estivemos por mais ou menos o mesmo período. Quando o MBM estava prestes a completar cinco anos, decidimos que mudaríamos novamente, desta vez para uma grande casa.
Vale lembrar que, ao completar cinco anos, as mudanças não foram apenas físicas. Apesar de tão jovem, o MBM chegou a um nível de amadurecimento muito importante. A expansão física da empresa marcou também
sua expansão como negócio, seu porte aumentou. Percebemos a necessidade de deixar claras as nossas atividades e a nossa imagem. Isso nos levou a definir nossa gramática corporativa e mudar nossa identidade, baseada nas três cores que substituiriam o preto e o prata de até então:
Laranja – a cor da energia: comunicação criadora Azul – a cor da responsabilidade e consequência: sucesso consciente Magenta – a cor do amor universal: amor pelo que fazemos
Também foi nesse momento que a empresa entendeu como inevitável incorporar seu slogan ao nome. Assinávamos nossos trabalhos como MBM Bureau de Comunicação - “seu escritório de ideias”. E decidimos que assumiríamos o nome mais adequado à nossa personalidade: seríamos o MBM Escritório de Ideias.
O crescimento do MBM se desenvolveu dessa forma e creio que parte do seu sucesso se deve ao empenho de todos que por ele passaram, mas acima de tudo, pelo fato de que sempre foram aplicados os três princípios ligados à nossa política: Comunicação Criadora; Responsabilidade e Amor pelo que fazemos, associados aos quatro princípios primordiais de Disciplina, Alegria, Gentileza e Resiliência.
Foram esses fatores que usei para a minha empresa tornar-se o que é hoje – não somente conhecida em Piracicaba, mas também em outras cidades do interior de São Paulo.
Merece ser destacado ao final de todo esse relato é que hoje o MBM tem uma reputação construída, conquistada com muito trabalho e dedicação.
Se pensar onde estou hoje, entendo que cheguei até aqui porque tive muita disciplina, alegria, gentileza e resiliência, vinculadas à inovação, além de não ter medo de sonhar, ousar e realizar.
Um protagonista não é constituído só de iniciativas, coragem e visão de futuro, mas também de princípios pensados e vivenciados.
Empreender no Brasil é algo muito desafiador. Sofri – e ainda sofro, como tantos empreendedores – tudo isso na pele, com a carga tributária pesada, desafios trabalhistas, oscilações de mercado, gerenciamento de equipes e de projetos. É preciso estar atento para assumir a responsabilidade em cada crise.
Isso tudo é muito difícil na área da comunicação e do marketing, porque muitas empresas e pessoas contratam nossos serviços sem saber direito o que estão contratando. Por isso a confiança vem antes. É um serviço subjetivo, e meu papel é tornar essa subjetividade em algo objetivo, trazendo resultados que sejam numéricos ou humanos. Ou é um ou é outro, não tem jeito. E só consegui esse alcance, em quase 20 anos de MBM, porque adotei uma linha muito clara de trabalho e não saí dela.
A linha que adotei consistia – e ainda consiste – em não abandonar meus clientes e projetos, chegar até o fim, mesmo que eu tenha errado a conta na hora de vender e cobrar, mesmo que durante o desenvolvimento do projeto ele se torne “caro demais para mim”. Não importa. O que foi prometido será entregue.
Um protagonista entrega o que acordou com seus clientes internos e externos.
7Ser protagonista também é ter sentimentos
Posso dizer que minha história é uma sequência de momentos que me provocaram, me levaram a assumir papéis de protagonista. Desde a perda do meu pai na minha infância, passando pelas primeiras experiências de trabalho na adolescência, o nascimento do meu filho na juventude e chegando ao empreendedorismo de fato com o MBM, em cada um desses cenários identifiquei que havia uma oportunidade de amadurecer como protagonista.
E quando o protagonista assume esse papel, precisa ter em mente que o subir ao palco, brilhar, fazer sucesso e dar algumas palavras de comando também dependem da permissão do “público”.
O protagonismo passa pela legitimação do público.
Dentro desse movimento todo, é preciso lembrar que o protagonista necessariamente é um líder, o pioneiro em muitas coisas, ele abre caminhos que não existiam antes. Em outros casos ocupa papéis que estão vagos, e em outros cria papéis para que ele mesmo brilhe – e isso não necessariamente é sinal de arrogância, mas sim de independência, de autonomia, pois ele
tem capacidade de criar oportunidades e não precisa esperar que outras pessoas as criem.
Mas um protagonista não avança de forma fria e calculista. Tudo isso envolve muito sentimento, intensidade, emoção. Ao passo que ele entende que sua atuação pode resultar em aplausos, também precisa se lembrar que as críticas – e até vaias – chegam em algum momento. Ele não pode achar que será infalível, perfeito, sem defeitos e sem erros. Por isso entendo que a dimensão humana é super importante.
O protagonista tem brilho, mas isso requer uma responsabilidade ainda maior, porque ele vai servir de exemplo, de modelo, ser referência. Então, se ele não usar e expor os sentimentos humanos, pode passar a ideia de que não tem falhas e neste caso, a frustração – tanto por parte dele, quanto do público – é certa. Assim, se estiver engessado, mais cedo ou mais tarde, o menor dos deslizes será suficiente para condená-lo.
Quando o protagonista mostra que tem sentimentos – amor, alegria, raiva, entusiasmo, tristeza, frustração – está dizendo ao público que não se acha perfeito e sabe que está exposto a tudo isso, que em algum momento pode cometer uma grande falha ou um grande acerto.
Trazendo essa ideia para um contexto mais prático, vejo que o próprio mundo corporativo está se humanizando. Este cenário que antes era conhecido pela formalidade e inflexibilidade, hoje já vive uma fase de transição em algumas áreas. A começar pelo código de vestimenta e visual a serem adotados. Os escritórios não exigem tanto mais terno e gravata como antigamente. Os homens não precisam mais fazer a barba impecavelmente, as mulheres não precisam usar salto alto. A quantidade de pessoas que trabalham em um sistema home office aumentou consideravelmente e vai aumentar muito mais depois dos novos mindsets adquiridos por causa da pandemia da Covid-19. A vida pessoal está cada vez mais misturada à profissional e as empresas – espontaneamente ou não – estão reconhecendo isso.
Além do fator estético, externo, há também uma mudança no trato, na conduta, nos critérios usados para avaliar a eficiência do profissional. A consciência do processo erro/acerto aumentou, porque hoje entende-se que isso faz parte do ser humano e que há uma diferença entre permitir e aceitar. O erro continua sendo erro, mas há um foco maior na capacidade de resolução das falhas que as pessoas têm desenvolvido.
O erro não é mais suficiente para tirar o brilho do protagonista. O show precisa continuar.
8Superação
Quando o protagonista se expõe, ele coloca no palco suas falhas, seus medos, mas também suas virtudes e sua coragem. Por isso penso que tal exposição faz parte da entrega que é assumir o protagonismo. Cada um desses elementos expostos se torna essencial para que se abra espaço para um resultado magnífico: a superação.
A superação é um dos resultados positivos dessa exposição da humanidade do protagonista. Afinal, por que a superação se faria necessária se não existissem dificuldades, medos, temores e incertezas? Por outro lado, como ela seria possível se não houvesse coragem, vontade e virtudes?
Por isso entendo que, de modo prático, superação é o que um pai alcança quando se vê sem dinheiro suficiente para sustentar seus filhos, mas consegue aumentar seu ganho para dar conforto a eles, quando uma mãe consegue executar seus projetos profissionais, mesmo tendo que levar seu filho ao escritório, ou quando alguém com deficiência física prova que, apesar das limitações, continua capaz de criar grandes ideias e realizá-las para si e para os outros.
O protagonista é um ser humano que se supera constantemente.
Depois que a superação se tornou algo recorrente em minha vida, passei a entender que ela tem uma marca inicial e assim reconhecer esse momento. Para mim, essa linha divisória se forma quando me sinto só, quando me vejo no ponto entre ter a ajuda de uma equipe grande ou estar ameaçado de não ter ninguém; entre ter minha família inteira acreditando no meu novo projeto ou de repente não sentir firmeza no apoio das pessoas mais próximas da minha vida. É exatamente no momento em que me vejo sozinho que a chama da superação se acende em mim.
Na minha vida, a superação está diretamente ligada a momentos de solidão que frutificam, se transformando em solitude. Não julgo, nem guardo rancor daqueles que não acreditaram nos meus projetos. Talvez eu realmente precisasse ficar a sós comigo mesmo para conseguir pensar melhor, para
que este senso de necessidade acendesse dentro de mim e me ajudasse a permanecer mais focado. E é exatamente esse ponto, esse marco, que me leva à superação.
9Luto e prosperidade, como assim?
Da mesma forma que reflito sobre o nascimento dos meus três filhos ter me trazido prosperidade e responsabilidade, hoje entendo que a morte dos meus pais me trouxe esses mesmos fatores. Sei que há quem possa estranhar essa minha declaração.
— Nossa, Bruno! Que as mortes do seu pai e da sua mãe te trouxeram responsabilidade até entendo, mas prosperidade? Como assim?
Eu explico. Quando meu pai morreu, mesmo eu tendo apenas quatro anos, isso me trouxe um senso de responsabilidade maior – obviamente dentro das possibilidades da minha idade. E ter esse senso de responsabilidade mais desenvolvido foi essencial para que eu prosperasse, não financeiramente, mas como pessoa. Ali entendi que o meu papel estava mudando, ali comecei a assumir o meu protagonismo.
Quanto ao falecimento da minha mãe, por mais que isso tenha ocorrido três meses após um momento muito significativo da minha vida, que foi o dia do meu casamento, esse fato também marcou um momento de prosperidade na minha vida.
Nos últimos dias de vida da minha mãe, eu estava fechando um dos maiores contratos que já fiz até hoje na minha vida, tendo que apresentar um projeto para 80 pessoas em um auditório, enquanto ela estava em estágio terminal de câncer no hospital. Não acho que esses fatores estão desligados um do outro. Creio que são compensações da vida. Então, acho que cada vez que nasceu um filho meu ou morreu algum familiar, a vida soube, de uma forma energética, abrir uma oportunidade para que eu agarrasse. Imagino que isso não aconteça só comigo, mas nem todos percebem e agarram as oportunidades.
Eu quis agarrar a responsabilidade e a prosperidade que o nascer e o morrer me trouxeram. Foi uma escolha entre afundar ou voar.
10O sucesso nos rodeia

Quando eu era muito pequeno, morei com meus avós em um prédio até o tempo de me mudar para morar sozinho. No quinto andar desse prédio tem uma senhora de família italiana, dona Odila Guidotti, amiga de nossa família. Ela tem vários filhos e um deles é Marco Antonio Guidotti. Ele conhecia meus pais e me conhece desde criança.
Anos mais tarde, ele se tornou uma das pessoas mais importantes na minha formação profissional, porque antes de abrir minha empresa, ainda aos 19 anos, estava na faculdade e buscando descobrir o que eu ia fazer da minha vida.
Como já contei aqui, nessa idade pegava diversos tipos de trabalhos e um deles era na Società Italiana, onde ele era o presidente. Em 2001, antes de me tornar pai e de abrir minha empresa, eu e ele conseguimos realizar um trabalho que reformou a Società Italiana: a segunda edição da Casa de Noel, que ainda era uma mostra de arquitetura e decoração mesclada com apresentações musicais. Conseguimos reunir muita gente para ajudar a reformar a sede da entidade, que foi construída em 1904. Marco foi uma pessoa muito importante na Società, pois conseguiu mudar sua imagem na região, proporcionando grandes transformações administrativas, institucionais e físicas. Ele montou uma diretoria com membros atuantes e muito engajados.
A importância dele em minha vida profissional foi marcada por ensinamentos muitos valiosos. Guidotti me ensinou muita coisa sobre administração, sobre gerenciar projetos e até mesmo sobre relacionamento humano, porque trabalhamos em parceria por muitos anos. Ele foi uma das pessoas que me deu o maior número de oportunidades, porque me deixou pensar e fazer, além de sempre me ensinar a balizar os meus trabalhos, indicando onde errei e onde acertei, mas em tudo me estimulando a ir em frente, com muito respeito, seriedade e generosidade.
Certa vez, depois do primeiro semestre da faculdade, tinha que pagar a rematrícula para mais um semestre e, preocupado, eu não tinha dinheiro para isso e ele me emprestou esse montante. Tenho muita gratidão por isso e, principalmente, como essa história se concluiu.
Pouco tempo depois, quando ele me chamou para fazer um trabalho, eu já tinha a empresa.
— Você faz um trabalho para mim? Preciso que você faça todas as ações de desenvolvimento da comunicação de Condomínio Monte Alegre, que estamos lançando! – ele pediu.
Ele foi um dos criadores desse condomínio com 303 lotes, um projeto muito grande e me contratou para fazer a divulgação do empreendimento: identidade corporativa, eventos de lançamento, brindes, as placas de sinalização de madeira dentro do condomínio… fizemos um trabalho fantástico!
Quando fui receber o primeiro pagamento, me lembrei do empréstimo que ele havia me feito. No momento em que mandei a conta, falei:
— Olha, deu este valor, mas quero descontar daí aquele empréstimo que você me fez, quando precisei para pagar a rematrícula da faculdade.
Foi muito legal, porque paguei tudo usando o dinheiro de outra oportunidade que ele mesmo me deu. Imagino que ele jamais iria me cobrar, mas a seriedade que me transmitiu em alguns anos de trabalho voltou como uma forma de estabelecermos ainda mais o vínculo de confiança. Ele me deu uma oportunidade de não só poder superar como a de poder pagá-lo de volta, de forma muito responsável.
Sou agradecido pelo que ele fez por mim! Alguém que fez tanto por outro alguém tão jovem como eu na época. Hoje procuro fazer isso por pessoas mais jovens, porque quero passar adiante o que recebi. Além de dinheiro, quando muito jovem precisei muito de orientações sobre vida e trabalho. Ele foi uma dessas pessoas.
Hoje procuro ajudar os mais jovens com palavras, conteúdo, informação, com palestras para grupos ou até quando recebo pedidos de aconselhamento profissional. Sempre tem um café no meu escritório para falar verdades e sugerir caminhos aos mais jovens que realmente querem exemplo, inspiração e referências. Senti muita falta disso em alguns momentos-chave da minha trajetória. E quando tive, dei muito valor, procurei retribuir aquela credibilidade com sucesso e um agradecimento muito mais prático do que verbal. Muitas vezes quem nos ajuda tem aquilo para dar, e não está muito preocupado com o agradecimento. E sim, quer que você avance, por isso tome o exemplo dessa pessoa para acelerar sua vida como um foguete.
11Falando com a massa: A vida é poesia
O tempo voa, mas quando temos quem nos ame, quando amamos… voamos junto. Sonho acordado e realizo de mãos dadas.
Aprendo isso todos os dias.
Quando eu era pequeno, queria muito as pessoas que tenho hoje e as conquistas do trabalho que alcancei.
Cheguei a uma idade em que sinto muita força para compartilhar, contar histórias, inspirar e ensinar. Nessa busca afetiva, amadurecer é o maior e melhor resultado.
Agradeço pelo encontro com Carla e juntos termos gerado Eduardo e Vitor, tão carinhoso com seu irmão mais velho e conosco.
Eduardo tem muita disciplina para os esportes, um humor fino e muita vontade de cumprir com qualidade seus compromissos. Tanto ele quanto Vitor têm uma curiosidade muito bonita sobre a vida. Já Vitor é muito divertido, desinibido, risonho e decidido. Ele é muito querido por seus amigos porque tem muita disponiblidade para se divertir.
Nos braços da família e nas boas conversas dos amigos (novos ou antigos, mas de sempre), só tenho a certeza de agradecer!
Obrigado por tudo, Vida!
Voemos então para fora do Ninho...

