Pisco, com P de Peru

Destilado peruano feito à base de uvas está ganhando o mundo.

Na terra de origem da família, o autor acompanha temas gastronômicos nos jornais locais. A culinária peruana funciona como um "ímã culinário" atraindo interesse mundial. O Peru sediou em 2011 o primeiro encontro do G9 (grupo de chefes influentes mundiais) e apresentou Astrid & Gastón na lista dos melhores restaurantes globais. Gastón Acurio é responsável pela disseminação internacional da gastronomia peruana, incluindo São Paulo.

O pisco constitui ícone peruano, puro ou em forma de sour (originário de bares limeños como Hotel Maury e Gran Hotel Bolivar). Consumido crescentemente em festas e encontros sociais, a bebida acompanha momentos diversos. Nos últimos dez anos, o consumo expandiu-se significativamente, abrangendo públicos jovens. A Bodega Queirolo desenvolveu o Masco, combinação de pisco com cereja de grande aceitação juvenil.

In loco

Visita à Bodega de Azpitia, estabelecida há quatro anos, recebido pelo sócio Alfredo Paino. Seis empresários investiram mais de um milhão de dólares em produção artesanal. Os sócios possuem terras em Azpitia (vale do rio Mala) produtoras de uvas pisqueras. Paino afirma: "Decidimos não baixar nossa qualidade em troca de vender mais."

Rivalidade

Paino destaca diferenças entre piscos peruano e chileno. "Esta é uma das tantas coisas que os chilenos copiam dos peruanos." Documentos históricos comprovam origem peruana. O pisco chileno não pode ser tomado puro, possui odor neutro e sabor forte. O peruano, elaborado do suco de uva destilado, admite consumo isolado.

Incentivo

Em 2003, legislação peruana instituiu que órgãos estatais devem alocar 50% de orçamentos em bebidas para pisco. Em 18 de outubro de 2007, o Instituto Nacional de Cultura do Peru declarou o pisco sour Patrimônio Cultural da Nação pela Unesco — modelo que o Brasil poderia aplicar à caipirinha ou cachaça.

Publicação original: Revista Monte Alegre, Edição nº 7, Fevereiro/Março de 2012